samedi 7 mars 2009

China manipula violência no Tibete



Um dos serviços de inteligência de Inglaterra (GCHQ) confirmou que agentes do Exército Popular de Libertação Chinês vestiram-se de monges budistas para aumentar a violência nos protestos que feriram ou mataram centenas de tibetanos.

Acredita-se que a decisão foi tomada por Pequim como uma forma de acabar de vez com os problemas na região, que já estava atraindo atenção negativa com a chegada dos jogos olímpicos.

Depois dos protestos que ocorreram há algumas semanas observaram-se cada vez mais monges realizando actos de desobediência pública. Posteriormente imagens mostraram que o exército utilizou agentes como provocadores para obterem a desculpa necessária que precisavam.

O que o governo chinês não esperava era que a situação ficasse descontrolada e protestos semelhantes ocorressem em vários povoados vizinhos.

Mesmo que o Dalai Lama tenha dito que desistiria do posto de líder dos budistas caso a violência não tivesse fim vários protestos continuaram a ocorrer porque a maior parte dos monges actuais são jovens, desempregados e acreditam que somente uma acção directa venha a mudar alguma coisa.

A tocha olímpica vai passar pelo Tibete daqui a algumas semanas e o governo chinês começa a ficar desesperado sem saber o que fazer. A maior prova disto foi a declaração por parte do primeiro-ministro chinês em falar com o Dalai Lama.

Outro passo do governo chinês em busca da aceitação mundial no conflito com o Tibete é a visita realizada neste fim-de-semana por representantes de 15 países, onde nenhum deles pode sair do programa feito pelo governo.

Um dos representantes chegou a afirmar que aquilo não poderia ser utilizado como substituto para a liberdade de poder visitar a parte que lhe convier.

Numa visita semelhante feita por jornalistas chineses e de outros países, um grupo de 30 monges fez um protesto onde gritaram “O Tibete não é livre.” Um repórter da Associated Press afirmou que aquele foi o único momento espontâneo da visita.

Os repórteres em visita a Lhasa descreveram a cidade como dividia, a parte chinesa e seus negócios estavam normais. Já a cidade antiga, onde vive a maioria tibetana ainda se encontra sob forte presença policial.

Quando questionado sobre o que aconteceria com as pessoas que participaram dos protestos, os oficiais chineses disseram que nada seria feito com estas pessoas. “Nós nunca lhes faríamos mal. Nós nunca iremos deter qualquer pessoa que você encontre nas ruas de Lhasa. Eu não acredito que nenhum governo faça algo assim.” Afirmou o vice-governador do Tibete, Baima Chilin.

Fontes:Times, BBC,


Intimidação e mentira




China alerta demais países para não receberem o Dalai Lama


PEQUIM - O ministro das Relações Exteriores da China, em discurso antes de duas datas históricas na próxima semana, alertou neste sábado outros países que não deixem o Dalai Lama usar o seu território para tentar tirar o Tibete do domínio chinês.

Pequim cancelou abruptamente um encontro entre China e União Europeia no ano passado em retaliação ao encontro do presidente francês, Nicolas Sarkozy, com o líder espiritual exilado que Pequim condena como sendo um separatista.

O Dalai Lama, que fugiu do Tibete em março de 1959 após uma revolta frustrada contra o domínio chinês, diz que só pleiteia maior autonomia para a região localizada no oeste da China, e não uma independência total.

"Ao desenvolver relações com a China, outros países não devem permitir que o Dalai Lama visite suas nações e não devem permitir que seus territórios sejam usados pelo Dalai Lama para realizar atividades separatistas para a independência do Tibete", afirmou o ministro das Relações Exteriores, Yang Jiechi.

"Acho que isso é parte integral das normas que regem as relações internacionais", afirmou o chanceler, em coletiva de imprensa, em meio a um encontro anual no Parlamento.

Na próxima terça-feira, o 50º aniversário da fuga ao exílio do Dalai Lama, ganhador do Prêmio Nobel da Paz. Além disso, em 14 de março do ano passado, ocorreram os protestos em Lhasa que deixaram 19 mortos, a maioria chineses do grupo étnico Han e lojistas muçulmanos Hui.

Além de querer reescrever a historia de dois países a China julga-se no direito de querer obrigar o resto do planeta a seguir a sua mórbida cartilha.

samedi 8 novembre 2008

China - a maior prisão do planeta



Ativistas denunciam falta de liberdade na Internet
A liberdade de opinião na internet está ameaçada em alguns países, como a China. Rebecca MacKinnon, fundadora da rede de blogs Global Voice, trouxe ao Web 2.0 Summit 2008 alguns exemplos de ataques à liberdade de expressão ao redor do mundo.

Em diversos países os governos bloqueiam sites indesejados. Por exemplo, se você estiver na China e tentar acessar o site www.hrw.org, da organização de direitos humanos Human Rights Watch, aparece uma página de erro, como se o site não existisse.

Em alguns casos pessoas são presas pelo que elas publicam na internet, inclusive com a ajuda de empresas americanas. O Yahoo forneceu ao governo chinês informações sobre o blogueiro Shi Tao, que foi preso e recebeu uma sentença de 10 anos.

Outro exemplo: se você procurar por “Tiananmen massacre” (massacre de Tiananmen) no Google na China só aparecem imagens do massacre que aconteceu durante a Segunda Guerra na mesma praça, não o que foi perpetrado pelo governo chinês contra protestantes em 1989 na mesma praça em Pequim.

Esta semana, MacKinnon lançou o site Globalnetworkinitiative.org, uma iniciativa coordenada com várias empresas de internet, como Google e Yahoo, para definir alguns princípios que as empresas podem adotar para proteger a privacidade de seus usuários em países onde a liberdade de expressão é limitada ou não existe. A ideia é ajudar as empresas a se posicionar perante governos não-democráticos.

Para Rebecca MacKinnon é preciso criar alternativas aos grandes prestadores de serviços na internet. Ativistas na China descobriram que a empresa que opera o Skype no país estava fazendo cópias das conversas em um servidor que podia ser acessado pelo governo chinês.

Caio Túlio Costa e Caíque Severo http://www.ig.com.br/

mardi 28 octobre 2008

Dalai Lama desiste de negociar com a China



PEQUIM - O líder espiritual tibetano, o Dalai Lama, afirmou que desistiu de tentar negociar com o governo da China mais autonomia para o Tibete diante da "falta de resposta positiva de Pequim", informa o correspondente Gilberto Scofield. Há alguns anos, o Dalai Lama, prêmio Nobel da Paz e ainda considerado pelos budistas tibetanos como a maior autoridade religiosa do país - apesar de seu exílio desde 1959 em Dharamsala, na Índia - desistiu de seu projeto de independência do Tibete, ocupado pela China desde 1951, e vinha pedindo às autoridades de Pequim maior autonomia administrativa e liberdade religiosa.

Mas o governo da China considera o líder religioso um "subversivo que busca fomentar atividades separatistas", apesar de manter conversas constantes com representantes do religioso há pelo menos quatro anos. O líder espiritual tibetano também é acusado por Pequim de ser o principal responsável pelos protestos de monges e civis tibetanos em Lhasa, capital do Tibete, onde 100 pessoas morreram e mais de mil foram presas em março.

Após os protestos, diante das pressões internacionais para que Pequim mantivesse o diálogo e às vésperas das Olimpíadas, o governo chinês decidiu retomar as conversas. Mas após alguns encontros, o Dalai Lama afirmou a uma multidão em Dharamsala que, aos 73 anos, estava desistindo do diálogo.


http://oglobo.globo.com/mundo/mat/2008/10/27/dalai_lama_desiste_de_negociar_com_china-586153319.asp

lundi 11 août 2008

Uma verdade



... inconveniente

Existe a China que será exibida nos jogos olímpicos, o motor do mundo onde vive em harmonia 1,3 bilhão de prósperos socialistas. E existe outra, sempre presente, nunca apresentada: uma ditadura que explora, polui e censura em nome do progresso. Conheça essa china pelos olhos de um jornalista brasileiro em Pequim.


Há um mês e meio da simbólica data de 08/08/08, abertura das Olimpíadas de Pequim, a ONG Human Rights Watch (HRW) lançou um guia para jornalistas estrangeiros. As recomendações vão do básico - registre-se na embaixada de seu país e carregue sempre seu passaporte, por exemplo - ao sombrio - "nunca, jamais, em nenhuma hipótese, revide fisicamente a qualquer ação da polícia ou mesmo de grupos à paisana". Bem-vindo aos Jogos Olímpicos ao típico estilo chinês.

A China passou de nação pobre refém de um incompetente planejamento comunista a um capitalismo selvagem e emergente com um estado ainda gigante - o tal "socialismo de características chinesas" -, mas os ventos que renovaram a economia não sopraram sobre a política. No comando da impressionante máquina de crescimento chinesa está um regime autoritário, incapaz de lidar com críticas ou investigações jornalísticas, especialmente se elas vêm do exterior (até porque a mídia chinesa é estatal).

Estamos falando da maior ditadura do planeta, exercida com mão de ferro pelo Partido Comunista da China (PCC), que esmaga sem dó nem piedade toda a crítica que possa, de alguma forma, desestabilizá-lo - e às vezes nem isso. O sistema eleitoral só existe no nível de pequenas vilas, mas com candidatos indicados pelo partido. A falta de um sistema judicial independente, cujos quadros são compostos por gente nem sempre formada em direito e umbilicalmente ligada ao partido, favorece abusos de poder.

Essa falta de justiça independente é um problema grave num país que usa a torto e a direito a pena de morte como "exemplo para a sociedade". O governo não divulga dados sobre a pena capital e há indícios de que esses números estejam caindo (no ano passado, o governo determinou que todas as penas de morte decretadas em cortes intermediárias fossem revistas na Suprema Corte). Mas em recente relatório da Anistia Internacional, a China foi apontada como o país que mais executou presos em 2007. Exatas 470 pessoas. Há quem ache que o número é muito maior, algo como 10 mil pessoas por ano. Qualquer que seja a estatística, nada se sabe sobre quem são esses mortos e o que fizeram para merecer tal destino.

Na reta final para as Olimpíadas, a prisão de críticos do governo foi sistemática, baseada em acusações vagas ("subversão do poder do Estado", "revelação de segredos de Estado para o exterior") e por meio de processos em que os réus não possuem direito nem de conversar com seus advogados. ONGs de defesa dos direitos humanos estimam que entre 100 e 150 jornalistas e blogueiros estejam presos. A Fundação Dui Hua, comandada pelo advogado John Kamm, é um grupo internacional que, há mais de 20 anos, trabalha para libertar presos políticos. "Calculamos que eles sejam mais de 30 mil. Há gente encarcerada desde 1989, como os manifestantes dos protestos que culminaram no massacre da Praça da Paz Celestial", diz Kamm. Não por acaso, é a única declaração deste texto: o verdadeiro milagre chinês é achar quem fale mal da China estando lá, alguns por medo, muitos por ignorância.

GILBERTO SCOFIELD JR.

http://revistagalileu.globo.com/Revista/Galileu/0,,EDG84148-7943-205,00-UMA+VERDADE+INCONVENIENTE.html


lundi 21 juillet 2008

A chegada da tocha ao Tibete



COI investiga ataque a Dalai Lama na chegada da tocha ao Tibete

quarta-feira, 25 de junho de 2008 10:54 BRT

Por Nick Mulvenney

PEQUIM (Reuters) - O Comitê Olímpico Internacional (COI) investiga um discurso proferido pelo chefe do Partido Comunista do Tibete no fim de semana, quando a tocha olímpica passou pela capital tibetana, e no qual foram desferidos ataques contra o Dalai Lama.

Mas não se sabe exatamente o que o COI, que não deve recorrer à sanção máxima de retirar os Jogos de Pequim, poderia fazer a esse respeito.

A diretora de comunicações do órgão, Giselle Davies, disse que os organizadores dos Jogos (Bocog) haviam sido instados a fornecer detalhes sobre o discurso de Zhang Qingli em Lhasa e que o órgão "lamentaria muito" caso os relatos dos meios de comunicação a respeito do episódio fossem precisos.

Zhang, um membro da linha-dura do partido, fez os comentários em uma cerimônia realizada no sábado para celebrar a conclusão da passagem da tocha olímpica pelas ruas de Lhasa, que foi palco de violentos protestos anti-China em março.

"O céu do Tibete nunca mudará e a bandeira vermelha com as cinco estrelas continuará a tremular para sempre no alto dele. Com certeza, conseguiremos esmagar totalmente os planos separatistas do grupo do Dalai Lama", afirmou Zhang.

O governo chinês responsabiliza o líder espiritual do Tibete, Dalai Lama, hoje exilado, e os seguidores dele pelos distúrbios de 14 de março ocorridos em Lhasa e acusa-os de tentar separar a região da China.

O país costuma atacar o Dalai Lama, mas não em eventos olímpicos. Os chineses criticaram outras pessoas por politizarem os Jogos, e os estatutos do COI vetam qualquer tipo de propaganda ou manifestação política nos "locais ou áreas das Olimpíadas."

O Dalai Lama nega ser o responsável pelos distúrbios e diz que deseja apenas que o Tibete tenha uma maior autonomia e liberdade religiosa. O líder espiritual convocou seus simpatizantes a darem apoio aos Jogos e à passagem da tocha olímpica pela região.

O chefe do Partido Comunista de Lhasa, Qin Yizhi, também atacou o Dalai Lama em outra cerimônia realizada na passagem da tocha por Lhasa, no sábado, afirmando que seu governo "esmagaria os planos do grupo do Dalai Lama."

A disputa em torno do Tibete lançou uma sombra sobre o périplo da tocha, algo em que a China apostava para projetar a imagem de um país moderno e vibrante antes dos Jogos.

Mas os distúrbios de março transformaram-se em um foco de protestos anti e pró-China em cidades nas quais a tocha esteve, como Londres, Paris e San Francisco. O cenário deixou o COI preocupado.

Na quarta-feira, o governo chinês disse que o périplo internacional da tocha paraolímpica havia sido cancelado e citou como motivo o violento terremoto de 12 de maio, em Sichuan.

A tocha deveria passar por Londres, Vancouver, Sochi e Hong Kong antes das Paraolimpíadas, previstas para ocorrer entre os dias 6 e 17 de setembro.


jeudi 19 juin 2008

desaparecidos



Anistia: Mais de mil tibetanos estão desaparecidos

Publicada em 19/06/2008 às 08h29m

BBC

Mais de mil tibetanos detidos durante os protestos pró-independência, que ocorreram em março, na China, continuam desaparecidos, aponta um relatório divulgado nesta semana pela Anistia Internacional.

O documento afirma que há denúncias de casos de abuso nas prisões e que, enquanto detidos, os tibetanos teriam apanhado e ficado sem comer.

Segundo a Anistia, dados oficiais do governo chinês contabilizam apenas os detidos que foram condenados , no que a organização chama de julgamentos "duvidosos".

Os confrontos - considerados os piores dos últimos 20 anos na região - estouraram no dia 10 de março quando a polícia e manifestantes entraram em choque nas ruas da capital, Lhasa. Várias pessoas foram presas durante os protestos.

Segundo números divulgados em maio pelo governo tibetano no exílio, que tem sede na cidade de Dharamsala, na Índia, centenas de manifestantes tibetanos ainda estariam detidos.

Com a passagem da tocha olímpica por Lhasa marcada para este sábado e o compromisso de Pequim em promover a liberdade de expressão, a Anistia Internacional pediu esclarecimentos do governo chinês sobre o paradeiro dos tibetanos desaparecidos.

Transparência

Segundo informações não confirmadas divulgadas pela ONG Estudantes por Um Tibete Livre (Students for a Free Tibet, em inglês), centenas de manifestantes que estavam detidos teriam morrido no terremoto de Sichuan, quando uma prisão próxima do condado de Wenchuan desabou.

No entanto, não há dados precisos sobre o número de detidos.

"Esse relatório é o primeiro passo para obtermos maior transparência do governo da China sobre o verdadeiro número de detidos", afirmou em entrevista à BBC Brasil o pesquisador da Anistia Internacional para Ásia, Mark Allison.

O pesquisador, que ajudou na realização do relatório, afirmou que é extremamente difícil coletar informações precisas sobre a situação do Tibete. Ele ressalta ainda que o clima é de medo na região.

"Os tibetanos ainda estão tendo seus celulares confiscados e correm o risco de serem presos se forem pegos repassando informações para estrangeiros", disse Allison.

O relatório destaca ainda que, nos últimos meses, a polícia e forças especiais de segurança do governo da China realizaram vistorias em centenas de monastérios, santuários e casas particulares, apreendendo computadores e aparelhos de comunicação.

Imprensa

Allison afirma que a Anistia quer que a China permita a livre entrada de jornalistas no Tibete para que haja uma "clara investigação dos fatos".

Cerca de 50 jornalistas representando 31 órgãos de imprensa foram convidados pelo governo para cobrir a passagem da tocha Olímpica pela região neste fim de semana.

"Só que esse tipo de acesso restrito (ao Tibete) não tem nada a ver com liberdade de acesso à informação", protesta o pesquisador.

O governo da China ainda não se posicionou oficialmente sobre o relatório divulgado pela Anistia Internacional.

"Eles [os chineses] nunca respondem aos nossos relatórios com receptividade e dados, sempre com acusações e preconceito", afirmou Allison

Para mais notícias, visite o site da BBC Brasil

dimanche 4 mai 2008

Os emissário Dalai-Lama começaram as entrevistas com as autoridades chinesas


Trata-se do primeiro encontro oficial entre ambas as partes depois de mais de dez meses, e depois da crise aberta pela os motins de Março e sua repressão pelas autoridades chinesas em Lhassa, capital da "província" do Tibete: dois emissário do Dalai-Lama começaram as discussões à portas fechadas com os responsáveis chineses sobre a crise, nesse domingo, 4 de Maio à Shenzhen (Sul da China); anunciou o primeiro ministro do governo tibetano exilado na Índia, Samdhong Rinpoche. Ele precisou ainda que Lodi Gyari, representante do chefe espiritual dos Tibetano em Washington, e Kelsang Gyaltsen, o seu homólogo na Suíça, despachados a China, “retornará a Índia terça-feira ou quarta-feira”, e que o teor das entrevistas será conhecido “apenas após o seu regresso”.

Este encontro, anunciado sexta-feira pelo governo tibetano, tem lugar à três meses da abertura dos Jogos olímpicos de Pequim, enquanto que a China é acusada de violações de direitos do homem ao Tibete. Os motins que começaram em 10 de Março à Lhassa fizeram pelo menos 203 mortes de acordo com os Tibetano em exílio, enquanto Pequim acusa “os rebeldes” de terem mortos 18 civis e um polícial. É sob a pressão internacional, enquanto que o percurso da chama olímpica através do mundo foi esmaltado de numerosos incidentes entre militantes proTibete e prochineses, que Pequim propos no 25 de Abril reabrir o diálogo, e solicitando ao Dalai-Lama “a pôr termo” às violências antes do JO.

“SUGESTÕES PARA TRAZER A PAZ”

Os exilados tibetanos e as autoridades chinesas negociam oficialmente desde 2002, e “sempre mantiveram o contacto”, incluindo em Março, reconheceram o governo em exílio. Mas as negociações de Shenzhen não serão em caso algum “um sétimo ciclo de negociações, exatamente uma consulta informal”, preveniram nessa sexta-feira Samdhong Rinpoche, que dizia não “não alimentar fortes esperanças”, mas estar “feliz” com este encontro. Os emissário “comunicarão as apreensões Sua Saintidade sobre a maneira como as autoridades chinesas geram a situação e farão sugestões para trazer a paz na região” do Tibete, tinham precisado Thubten Samphel, porta-voz deste governo estabelecido à Dharamsala.

De acordo com a agência a China Nova, Pequim despachou Zhu Weiqun e Sitar, dois více-ministros da Frente Unido do Trabalho, um departamento do Partido comunista, responsável pelos contatos com os líderes religiosos e as minorias étnicas.

Os últimos sinais enviados pelo lado chinês são contrastados. Sábado, a imprensa oficial não mencionava o encontro previsto, e continuava acusar Dalai-Lama e seu “bando” de ter fomentado os motins à Lhassa com o objectivo sabotar os JO - cujo chefe espiritual dos tibetano defende-se. Numa entrevista à meios de comunicação social japoneses, o presidente chinês Hu Jintao acredita que as discussões sobre a crise no Tibete conduzam à “resultados positivos”. À véspera de uma visita oficial no Japão, o segundo da história para um chefe de Estado chinês, também disse-se confiando no sucesso JO: “Penso que os jogos serão um sucesso, com um largo apoio do estrangeiro, incluindo o povo japonês”, declararam de acordo com a agência de imprensa Jiji.

LEMONDE.FR com AFP e AP

vendredi 2 mai 2008

"conversas informais"


Enviados do Dalai Lama vão à China para reunião com governo

Publicada em 02/05/2008 às 09h11m

Reuters

NOVA DÉLHI - Enviados do Dalai Lama viajarão à China para se encontrar com o governo e discutir a crise no Tibete, disse o governo em exílio nesta sexta-feira.

- Durante essa breve visita, os enviados abordarão o assunto urgente da crise atual nas áreas tibetanas - disse um comunicado do governo em exílio, publicado em seu site.

Depois da repressão dos protestos contra o comando chinês no Tibete, um coro diplomático internacional exigiu um diálogo entre a China e o Dalai Lama. Pequim subitamente anunciou, no fim de abril, que planejava se encontrar com os representantes do líder espiritual tibetano.

Os enviados devem chegar à China neste sábado, para o que o lado do Tibete chama de "conversas informais".

- Temos esperança de que os chineses estejam dispostos a tratar da questão do Tibete de forma realista - disse Tenzin Taklha, porta-voz do Dalai Lama, na Índia, onde fica o governo tibetano em exílio.

Apesar da oferta de diálogo, a China acusa o líder espiritual do Tibete de manipular a opinião e os governos ocidentais.

A China culpa o "grupo" de Dalai Lama pelas revoltas em Lhasa e em outras áreas tibetanas, que, segundo o governo chinês, teriam o objetivo de atrapalhar os Jogos Olímpicos em agosto.

Já houve seis rodadas de encontros entre a China e os enviados de Dalai Lama desde 2002, sem solução do impasse.

mardi 29 avril 2008

Tibete - Uma história marcada




O florescer da Primavera do Tibete

Mathieu Vernerey


As manifestações de Lhasa chamaram a atenção do mundo para a rigidez da China, apesar das concessões do Dalai-Lama. Mas o futuro da revolta depende de duas questões. Os tibetanos conseguirão formular claramente suas reivindicações? E, no ano das Olimpíadas, Beijing estará disposta a reprimir?

A repressão das manifestações no Tibete, em março de 2008, suscitou uma comoção da opinião pública internacional. Milhares de tibetanos saíram às ruas durante duas semanas, em Lhasa e depois em outras cidades, erguendo a bandeira do Tibete e exibindo slogans a favor da independência: uma recusa manifesta dos sessenta anos de dominação chinesa.

No entanto, a presença de monges à frente da contestação levou a um questionamento sobre a natureza do movimento, freqüentemente descrito como uma revolta budista. A despeito da brutalidade da repressão, a violência inédita de numerosos manifestantes abalou a imagem de uma luta conhecida como não-violenta. Entre os alvos desses “tumultuadores”, encontram-se civis chineses da etinia Han e muçulmanos Hui [1], dando a impressão de motivações étnicas ou religiosas à revolta.

Simbolicamente, as manifestações tomaram forma em 10 de março, data de aniversário do levante nacional de Lhasa contra a intervenção chinesa de 1959. A repressão dessa insurreição precipitou o exílio de Dalaï-lama e de seu governo na Índia, que acolheu milhares de refugiados. No entanto, assim como a ONU, o primeiro-ministro indiano Jawarhlal Nehru não reconheceu a independência do Tibet.

A invasão do Tibete em 1949, ou sua “liberação pacífica” do ponto de vista chinês, remete a um aspecto não resolvido da história. Por um lado, a ocupação relembra a dificuldade ancestral dos chineses em anexar e dominar a região tibetana. E, por outro, a incapacidade dos tibetanos em convencer o mundo moderno de sua independência histórica.
Uma história marcada por séculos de invasões, chinesas e principalmente mongóis

As pretensões chinesas sobre o Tibete remontam ao século 13, durante a dinastia mongol dos Yuan (1279-1368). E também, ao século 17, na época da dinastia manchue dos Qing (1644-1911). Nesses dois períodos, o império chinês atingiu sua máxima extensão para o oeste – tempo das campanhas militares vitoriosas, conduzidas pelos Yuan a partir dos resquícios de um império mongol que dominava a Ásia, China e, inclusive, o Tibete.

Entretanto, durante a dinastia chinesa dos Ming (1368-1644), mais orientada para as conquistas marítimas, os príncipes mongóis definiram, por longo tempo, a política do Tibete. Em 1578, intervindo nas querelas religiosas internas, Altan Khan apoiou a primazia do chefe da linhagem dos Gelukpa, ao qual atribuiu o título de Dalai-Lama (“oceano de sabedoria”). Por sua vez, em 1642, Güshi Khan afirmou a autoridade política do 5º Dalaï-Lama e estreitou as relações entre o Tibete e a Mongólia, de acordo com o princípio do “Choen-yon” (guia-protetor). O príncipe mongol trazia essa proteção militar ao Tibete; em troca, o guia espiritual tibetano estendia suas emanações espirituais à Mongólia. Esse tipo de relação também prevalecia com a China manchue e, conforme as alianças, com outros reinos vizinhos.

O Tibete viveu seguidas interferências exteriores – mongóis mais freqüentes que chinesas. Em 1720, o país pediu apoio à China para expulsar os mongóis. Fez o mesmo para livrar-se dos nepaleses, em 1792. Durante esse período, a China esforçou-se por reorganizar a administração tibetana, sem, no entanto, buscar dominá-la. Em seguida ao desmoronamento da dinastia manchue de Qing, o dirigente chinês Sun Yat-sen fundou, em 1912, a República de Nankin. Os tibetanos proclamaram sua independência um ano depois.

Em 1914, um acordo tripartite foi assinado, em Simla, entre representantes britânicos, chineses e tibetanos. Uma forma de suserania chinesa foi reconhecida, mas os dirigentes chineses recusaram-se a tratar os tibetanos com igualdade.
A partir de 1951, domínio chinês, mas progresso nas negociações entre o Dalai-Lama e Beijing

Enquanto a China conhecia as perturbações interiores (“guerra dos senhores”, depois guerra civil entre comunistas e nacionalistas) e invasões estrangeiras (francesa, inglesa, russa e japonesa), o Tibete viveu uma independência de fato entre 1913 e 1949. Alguns meses depois da proclamação da República Popular da China, Mao Zedong invadiu o Tibete, em 1950. Sob o Conselho de Segurança da ONU, então recém-fundada, os representantes da China nacionalista (Taiwan) alegaram que se tratava de um assunto interno chinês e obtiveram ganho de causa [2].

Em 1951, sobre pressão militar, um acordo de 17 pontos foi firmado por Mao Zedong. Ele estipulou o “retorno do povo tibetano à pátria”. Em contrapartida, foi acordado um estatuto de autonomia que previa a manutenção “do sistema político existente e das funções e poderes do Dalaï-Lama”. Para os tibetanos, ele é o chefe espiritual e temporal do Tibete – o que contradiz os termos do acordo. Além disso, nenhum dos compromissos chineses foi respeitados.

Ao partir para o exílio, em 1959, o Dalai-Lama recusou formalmente esse pacto. Ele restabeleceu um governo, dotou-o de um Parlamento e organizou a comunidade de refugiados. Isso manteve intacto seu desejo de lutar pela independência. Na mesma época, ele reforçava sua vontade de “criar condições favoráveis às negociações, tendo em vista a busca de uma solução pacífica [3]”. Em 1979, o novo timoneiro chinês, Deng Xiaoping, comunicou que “exceto a independência, tudo poderia ser rediscutido” [4].

Até 1985, quatro delegações tibetanas foram autorizadas a voltar ao Tibete – dotado, desde 1965, de um estatuto de autonomia [5] - para atestar os progressos realizados, mas não foi conquistada.
O líder espiritual descarta a independência. Mas a China prefere tratá-lo como inimigo

Em 1988, na “Proposição de Estrasburgo”, o Dalai-Lama renunciou oficialmente à independência, em favor da autonomia e de uma união com a China. Mas em março de 1989, o diálogo foi interrompido pela repressão das mais importantes manifestações contra a autoridade chinesa ocorridas desde 1959 – data de aniversário do levante nacional. Preocupado em reatar as negociações, o Dalai-Lama reiterou sua proposição de uma “verdadeira autonomia”, sob soberania chinesa. Enquanto aconteciam seis novos encontros sino-tibetanos, entre 2002 e 2007, as recentes manifestações e as conseqüentes repressões fizeram crer que a história se repetia.

Certamente, a religião budista é um elemento constituinte da identidade nacional tibetana, mas ela não explica tudo. Atualmente, no Tibete, o sentimento nacionalista vive, antes de tudo, uma recusa da China. E se uma parte da população parece resignada, essa rejeição se expressa de maneira cada vez mais exacerbada. Embora Pequim tenha classificado Dalaï-lama como sendo o “principal instigador de agitações”, uma nova geração surgiu – menos sujeita à influência do “dirigente espiritual”.

Marginalizados em meio à sociedade chinesa, os tibetanos assistiram seu país sofrer maciça influência cultural chinesa, devido a uma onda crescente de colonos. Mas não foram beneficiados pelo desenvolvimento anunciado. Vistos como possível resposta ao descontentamento, os investimentos econômicos fracassaram, principalnte devido a sua lógica colonial.

A violência que desfigurou a “Lhasa chinesa” não se repetiu no conjunto do movimento de revolta, que se estendeu a outras cidades tibetanas e a províncias habitadas pelos tibetanos. Nelas, a contestação reuniu tanto laicos como religiosos, que, em vez da bandeira tibetana, levavam consigo o retrato de Dalai. Considerado chefe de Estado no exílio, o guia espiritual beneficiou-se de uma autoridade ainda intacta e amplamente reconhecida no interior e exterior do Tibete; mesmo que alguns tibetanos tenham preconizado uma luta mais frontal. Ele permanece como o cimento da unidade nacional, o que as autoridades chinesas reconhecem, à sua maneira. Pela voz do secretário do Partido Comunista no Tibete, elas consideram que "se trata de uma luta até a morte contra o Lalai Lama e sua gangue [6]».
Defensores da independência estão fora do país e são incapazes de agir de forma conjunta

Agindo assim, as autoridades chinesas reforçaram o sentimento nacional daqueles a quem pediam que negassem seu dirigente legítimo. Já o comportamento dos tibetanos no exterior revela-se mais complexo, no que diz respeito ao dirigente e à questão de independência. Há muito tempo, ela se tornou um tabu – desde momento em que o Dalai-lama a abandonou oficialmente e reafirmou sua política de abertura e diálogo com Beijing. Em outubro de 2002, ele pediu de forma explícita aos militantes que refreassem todas as manifestações públicas anti-chinesas ao redor do mundo, afim de criar uma “atmosfera propícia para o diálogo”. Esse apelo à retenção provocou confusão e desmobilização junto a numerosos militantes.

Como resultado, a China alcançou seus objetivos: deixou de ser publicamente contestada e ganhou respeitabilidade em razão de sua “boa vontade”. Enquanto isso ela arrebatava, na prática, a autonomia do Tibete. Os independentistas tibetanos apoiaram-se nessa constatação, sem necessariamente ter uma idéia relevante do caminho a seguir.

No exílio, a corrente em favor da independência, representada por diferentes organizações, não forma de um movimento unificado. Nenhuma de suas compenentes chegou a formalizar novas proposições, que substituíssem a fórmula do "governo do exílio". No interior, as ações visíveis em favor da independência são, geralmente, atos individuais isolados, ou, em conjunturas particulares, ações de movimentos coletivos espontâneos e imprevisíveis, sem objetivos nem estratégia formulados.

A caixa de ressonância midiática oferecida pelos próximos Jogos Olímpicos de Beijing acrescentou um novo elemento: a oportunidade de denunciar a dominação chinesa ao mundo. Na Índia, as cinco principais organizações independentistas articularam-se em torno de uma marcha de retorno ao país, em 10 de março. Ela foi imediatamente bloqueada pelas autoridades indianas. Ao mesmo tempo, as manifestações começavam em Lhasa, ampliando-se e se propagando em seguida. Mas esta sinergia, ao mesmo tempo, militante e popular, não tem visibilidade e legibilidade políticas. O que suscita perguntas sobre a representação “do povo do Tibete” e sua expressão.
O "Parlamento no exílio": fraca representatividade, composição confusa e pouco debate

A maior parte dos tibetanos no país considera legítimo o “governo no exílio”, na medida em que ele representa a continuidade do princípio de soberania e administração de Dalai-Lama. Contudo, sua impotência para chegar a uma solução e sua renúncia à independência cristalizaram uma certa desconfiança, da qual o Dalaï-lama permanece imune.

Todavia, a ação diplomática de seu governo deve ser distinguida da ação do “Parlamento tibetano em exílio”. Esse supostamente representa todos os tibetanos, inclusive os que vivem no país, mas de maneira simbólica: é impossível uma eleição no próprio Tibete. Por isso, a base do "Parlamento" são as comunidades exiladas na Índia e Nepal, segundo seu vínculo a três regiões tradicionais do Tibete histórico. As cinco escolas budistas são também representadas, assim como as diásporas da Europa e da América do Norte. Essa complexa sobreposição de circunscrições não ajuda a tornar compreensível a constituição do Parlamento.

Por trás disso há um problema mais profundo: a incapacidade dos tibetanos em formalizar um debate político. O Parlamento no exílio funciona sem partidos. Embora não proíba esse sistema de representação, a "Constituição" provisória não faz nenhuma alusão a ele. Apesar de reformas, que introduziram a separação dos poderes, o direito de voto, a eleição de seus membros e do "primeiro-ministro" por sufrágio universal, a democracia é incompleta. Persiste a ausência de qualquer expressão partidária relacionada a objetivos ou ideais políticos. A começar pela segmentação subjacente — mas não formalizada — entre independentistas e autonomistas.
O descontentamento poderia e espalhar-se para Xinjiang e a Mongólia, onde há reivindicações identitárias

Nas últimas eleições legislativas do Tibete, em março de 2006, deputados disseram ser a favor da independência, sem ter assumido, até agora, o compromisso no âmbito do mandato. É difícil de exprimir uma opinião diferente da de Dalai-Lama. Na comunidade , isso é imediatamente percebido como oposição a ele.

A resistência das mentalidades no interior do Parlamento impossibilita, por ora, a formalização de um partido político. Não é toa que um número crescente de deputados afirma apoiar o objetivo independentista, e que alguns sugerem um reagrupamento, à margem do Parlamento. Para eles, as margens de operação são restringidas em razão de uma situação pouco favorável: condição precária de refugiados, tolerância frágil da Índia como país de acolhimento, pressão de governos estrangeiros para manter o status quo, represálias chinesas contra os tibetanos no país etc.

A agitação espera ainda a sua “voz” política, única condição para que os botões “da primavera” de Lhasa desabrochem sem desvanecer antes florescer. Para o atual presidente chinês, Hu Jintao, estes acontecimentos têm forte ressonância. Quando foi secretário do Partido Comunista no Tibete, durante as manifestações de 1989, ordenou a repressão e decretou a lei marcial. Ele sabe que os abalos no “Teto do mundo” foram precursores dos acontecimentos da Praça Tiananmen.

O descontentamento do Tibete corre o risco de espalhar-se para outras regiões onde há reivindicações identitárias: a dos uigurs (Xinjiang) e a dos mongóis (Mongólia interior). Resta saber se, nesse ano de Olimpíada, a repressão será uma boa estratégia. Pequim se interroga sobre a maneira de conciliar sua imagem internacional e a necessidade de considerar os desafios internos na busca da própria estabilidade.

[1] A China definiu-se como um país multiétnico ou multinacional com 56 etnias. Os hans são 92% da população. Tibetanos, huis, uigurs e mongóis dispõem do estatuto de região autônoma, respectivamente Tibete, Ningxia, Xinjiang, e Mongólia Interior. Ler «Jusqu où ira la Chine», Manière de voir, nº 85, fevereiro/março 2006.

[2] Três resoluções foram votadas à ONU em seguida ao levante de Lhassa: em 1959, 1961 e 1965. O motim de 1961 recorda o «direito à autodeterminação» do povo tibetano.

[3] Declaração de Dalai-Lama a Mussorie (Índia), em 20 de junho de 1959.

[4] Mensagem transmitida por Deng Xiaoping ao irmão mais velho do Dalai-Lama, Gyalo Thondup, em Pequim, em março de 1979.

[5] A região autônoma compreende a parte central (U-tsang) do Tibete histórico. As duas outras províncias tradicionais (Kham et Amdo) foram integradas à província chinesa do Qinghai e às margens ocidentais de Gansu, Sichuan e Yunnan.

[6] Declarações de Zhang Qingli, secretário do Partido Comunista do Tibete, veiculados pelo Diário do Tibete, em 21 de maio de 2006, e reiteradas em 19 de março de 2008, sob o título “luta à morte de dalaï-lama e sua gangue”.



Cronologia Tibete-China


1578 – Instauração da figura do Dalai-Lama pelo chefe mongol Altan Khan.

1642 – Dalai-Lama assume o poder, graças ao apoio dos mongóis.

1720-1792 – Os dirigentes tibetanos pedem apoio da China manchue para expulsar mongóis e nepaleses.

1904 – O Reino Unido, que ocupava uma parte da China, reconhece a soberania do Tibete.

1914 – O acordo assinado por britânicos, chineses e tibetanos não é seguido pela China.

Outubro de 1950 – Invasão de Lhasa por tropas chinesas.

10 março de 1959 – Início do levante contra a ocupação chinesa. Houve milhares de vítimas. O Dalai-Lama foge para Dharamsala , na Índia.

1965 – Pequim cria a “Região Autônoma do Tibete”.

1966/76 – Revolução Cultural: os monastérios são destruídos e religiosos perseguidos. Pequim não restituiria os direitos à liberdade de religião antes de 1980.

1979/84 – O Dalai-Lama é autorizado a enviar quatro missões de sondagem ao Tibete. Paralelamente, delegações políticas tibetanas encontram-se em Pequim em 1979 e 1984.

8 de março de 1989 – Depois de três dias de levantes anti-chineses, Beijing impõe a lei marcial em Lhasa. O conflito ceifou dezenas de vidas. Em outubro, Dalai-Lama obtém o Prêmio Nobel da Paz.

1996 - O Dalai-Lama propõe negociações sobre o futuro do Tibete, uma proposta à qual Beijing opõe o reconhecimento prévio da soberania chinesa sobre o Tibete.

2002-2003 - Retomada do diálogo informal.

2004 - Beijing publica um Livro Branco sobre “a modernização do Tibete” que denuncia o “Dalai-Lama e sua gangue”.

http://www.lemonde.fr/

mardi 22 avril 2008

"cidadão honorário"



Chancelaria defende a independência de Paris quanto à homenagem ao Dalai Lama

PARIS (AFP) — A cidade de Paris agiu de maneira independente ao declarar o líder espiritual tibetano Dalai Lama "cidadão honorário" e ela é a única responsável por esta medida, anunciou nesta terça-feira o ministério francês das Relações Exteriores.

"Não nos corresponde interferir nas decisões que são adotadas pela cidade de Paris", declarou a porta-voz do ministério, Pascale Andreani.

Nesta terça-feira, a China manifestou 'grande descontentamento' com a decisão de Paris nomear o Dalai Lama "cidadão honorário", denunciando uma "grosseira interferência nos assuntos internos chineses, que atenta gravemente contra as relações franco-chinesas".

Os vereadores de Paris também receberam uma carta assinada pelo embaixador da China na França, pedindo que o Dalai Lama não fosse fosse homenageado com o título de "cidadão honorário" da cidade.

Um dos assessores do prefeito, Pierre Schapira, declarou que o embaixador advertia os vereadores em termos "extremamente violentos" e os responsabilizava por "piorar a situação do Tibete".

"Estou escandalizado com este ultimato. Nunca vi um embaixador exercer pressão sobre cargos eletivos dessa maneira", disse à AFP.

Além do Dalai Lama, o dissidente chinês Hu Jia, recentemente condenado a três anos e meio de prisão em seu país, também recebeu a mesma distinção.

A pedido do prefeito socialista Bertrand Delanoe, a maioria dos membros da câmara municipal votou favoravelmente à proposta de nomear o Dalai Lama "cidadão de honra", assim como Hu Jia, proposto pelo grupo dos verdes.

Inúmeros parlamentares decidiram não participar na votação, entre eles os membros do opositor UMP (conservadores), que em nível nacional é o partido do presidente Nicolas Sarkozy.

Sarkozy está tentando abrandar a ira da China após as manifestações e propostas de boicote contra interesses franceses desencadeadas pela tumultuada passagem da tocha olímpica por Paris.

Um dos gestos de Sarkozy foi uma carta com um pedido de desculpas dirigido a Jin Jing, a atleta chinesa deficiente física que conduziu a tocha e a protegeu dos manifestantes que tentaram arrancá-la durante sua passagem por Paris.

"Quero lhe dizer que fiquei impressionado com os ataques que você sofreu no dia 7 de abril em Paris e pela valentia que demonstrou. Sinto um profundo respeito em relação a você e ao seu povo", escreveu Sarkozy na carta, entregue nesta segunda-feira em Xangai nas mãos da própria Jin, de 27 anos, pelo presidente do Senado francês, Christian Poncelet.

Poncelet, em visita à China, revelou à imprensa o conteúdo da carta enviada a Jin, que a imprensa chinesa considerou uma heroína após o incidente em Paris.

Em sua carta, Sarkozy convidou a jovem de Xangai a visitar a França, afirmando que aqueles que estavam por trás destes "lamentáveis incidentes" não representam os sentimentos de amizade entre França e China.

O governo da China manifestou satisfação com a carta de apoio do presidente francês.

mardi 15 avril 2008

Defenda o Tibete - Apoie o Dalai Lama



Após décadas de repressão chinesa, os tibetanos resolveram se mostrar para o mundo e demandar mudanças. Os líderes chineses estão agora mesmo se decidindo entre aumentar a repressão contra os manifestantes ou finalmente se abrir para o diálogo com o povo tibetano.

Nós podemos afetar este momento histórico. A China se preocupa com sua reputação perante o mundo. Porém, somente com uma avalanche de apelos globais poderemos chamar a atenção do governo chinês. O líder espiritual do Tibete,
o Dalai Lama, pediu cautela e diálogo. Vamos apoiá-lo neste chamado. Preencha o formulário abaixo para assinar a petição, ela será entregue em embaixadas e consulados chineses do mundo todo segunda-feira dia 31 de março.

http://www.avaaz.org/po/tibet_end_the_violence/

1,643,705 pessoas assinaram a petição - nossa meta de 1 milhão foi atingida em uma semana!

Essa petição terminou mas a luta pacifica esta apenas começando.

vendredi 21 mars 2008

Dezoito?




Dezoito civis são mortos em protestos no Tibete

Dezoito civis e um policial morreram em protestos contra a China em Lhasa, capital do Tibete, informou hoje a agência governamental chinesa, Xinhua, citando o governo regional. "Antes, a contagem oficial de inocentes mortos era de 13", afirmou a Xinhua.
A agência reportou que 241 policiais ficaram feridos, 23 deles em estado grave. Um acabou sendo morto por uma multidão. O governo regional disse que o número de civis feridos subiu de 325 para 382, segundo a Xinhua. Cinquenta e oito deles estão em estado grave.

Tibetanos acreditam em grande nº de mortes em protestos

Tibetanos na tensa província chinesa de Sichuan, no sudoeste do país, afirmaram hoje que acreditam que a polícia matou várias pessoas em protestos contra a China promovidos esta semana, contestando dados oficiais de que não houve vítimas fatais. Tibetanos na tensa província chinesa de Sichuan, no sudoeste do país, afirmaram hoje que acreditam que a polícia matou várias pessoas em protestos contra a China promovidos esta semana, contestando dados oficiais de que não houve vítimas fatais.

A instabilidade social tem alarmado a China, sede dos Jogos Olímpicos marcados para agosto, quando o país tentará se mostrar ao mundo como nova potência mundial. Montanhistas chineses escolhidos para levar a tocha olímpica ao topo do monte Everest disseram que sua jornada mostrará unidade nacional contra o líder exilado do Tibet, o Dalai Lama, a quem Pequim acusa de instigar as manifestações.

"Vamos garantir o movimento tranquilo da tocha. Precisamos fortalecer a unidade étnica enquanto forças hostis têm tentado criar uma divisão entre grupos étnicos", disse Yin Xunping, representante da equipe de montanhistas do Tibet, segundo a Xinhua. As tensões continuam altas no Tibet, Sichuan e em outras áreas vizinhas onde o governo chinês têm reforçado tropas.

Kangding, uma cidade com forte presença tibetana em Sichuan, está tomada de soldados, alguns em patrulha, alguns praticando movimentos de artes marciais na praça da cidade. Dando o tom da tensão na região, motoristas recusam-se a fazer viagens para as áreas montanhosas. "Eu estou nessa para ganhar dinheiro, mas não importa o quanto você me pague, eu não vou naquela direção", disse um motorista. Enquanto isso, tropas e polícia de choque têm montado bloqueios nas estradas e estão impedindo a entrada de estrangeiros nas regiões próximas.

"Com todas as tropas que foram para lá, a situação está sob controle agora. Eles tentaram por todos esses anos ganhar independência e não conseguiram. Então não vai acontecer. Não agora, é impossível", disse Ran Hongkui, lojista chinês que tem um estabelecimento no caminho de comboios armados de policiais que vão para o oeste.

O Dalai Lama, 72, que fugiu do Tibet em 1959, afirma que é contra a violência e somente quer maior autonomia para sua pátria e que tem desejo de ir a Pequim para negociar. Enquanto isso, a imprensa chinesa tem aumentado os ataques ao prêmio Nobel da Paz. O Tibet Daily o chama de "jacal com face humana e coração de uma besta" e o acusa, junto com seus seguidores, de "nunca desistir de tentar restaurar sua teocracia corrupta e seus privilégios feudais".



Reuters

mercredi 19 mars 2008

Why are we silent

Tibete; como ajudar.



Petição para o Presidente chinês Hu Jintao:

Como cidadãos do mundo, nós o convidamos a mostrar controle e respeito pelos direitos humanos em sua resposta aos protestos no Tibet, e a tratar do que interessa a todos os Tibetanos através de um diálogo aberto com o Dalai Lama. Apenas o diálogo e a reforma trarão a estabilidade definitiva. O futuro mais promissor da China, assim como sua relação mais positiva com o mundo, jaz no desenvolvimento harmônico, no diálogo e no respeito.

http://www.avaaz.org/en/tibet_end_the_violence/6.php?cl=62130502

Texto original em Inglês:

Petition to Chinese President Hu Jintao:

As citizens around the world, we call on you to show restraint and respect for human rights in your response to the protests in Tibet, and to address the concerns of all Tibetans by opening meaningful dialogue with the Dalai Lama. Only dialogue and reform will bring lasting stability. China's brightest future, and its most positive relationship with the world, lies in harmonious development, dialogue and respect.

http://www.avaaz.org/en/tibet_end_the_violence/6.php?cl=62130502

Missões permanentes na Organização das Nações Unidas (escreva em inglês, exceto para a missão brasileira)
Brasil - delbrasonu@delbrasonu.org
China - chinamission_un@fmprc.gov.cn
Estados Unidos - usa@un.int

Mais missões: http://www.un.org/members/missions.shtml

Human Rights Watch – Direitos Humanos (escreva em inglês)
chicago@hrw.org; hrwnyc@hrw.org; hrwdc@hrw.org; hrwlasb@hrw.org; hrwsf@hrw.org; hrwuk@hrw.org; hrwbe@hrw.org; hrwgva@hrw.org; berlin@hrw.org; toronto@hrw.org

CCTV – TV chinesa (escreva em inglês)
cctv-9@cctv.com

CRI – Rádio Chinesa (escreva em português)
cripor@cri.com.cn

Embaixada Chinesa no Brasil (escreva em português)
chinaemb_br@mfa.gov.cn

Website do Governo Chinês (escreva em inglês)
English@mail.gov.cn

China Internet Information Center (escreva em inglês)
http://service.china.org.cn/link/wcm/comments_e

Jornal China Daily (escreva em inglês)
http://www.chinadaily.com.cn/static_e/Contact_Us.html

Comitê organizador dos jogos olímpicos de Beijing 2008 (escreva em inglês ou francês)
General Office - mishubu@beijing2008.cn
Project Management - zongti@beijing2008.cn
International Relations - international@beijing2008.cn
Sports - sports@beijing2008.cn
Media & Communications - xuanchuan@beijing2008.cn
Construction & Environment - guihua@beijing2008.cn OR environment@beijing2008.cn
Marketing - marketing@beijing2008.cn
Technology - technology@beijing2008.cn
Legal Affairs - legal@beijing2008.cn
Games Services - gamesservices@beijing2008.cn
Audit & Supervision - jiancha@beijing2008.cn
Human Resources - renshi@beijing2008.cn
Finance - caiwu@beijing2008.cn
Cultural Activities - wenhua@beijing2008.cn
Security - security@beijing2008.cn
Media Operations - mediaoperations@beijing2008.cn
Venue Management - VEM@beijing2008.cn
Paralympic Games - paralympic@beijing2008.cn
Transport - Transport@beijing2008.cn
Volunteers - volunteerop@beijing2008.cn
Olympic Torch Relay Center - OTR@beijing2008.cn
Accreditation - accreditation@beijing2008.cn
Opening & Closing Ceremonies Operation Center - OCC@beijing2008.cn
Ticketing Center - ticketing@beijing2008.cn

Comitê Olímpico Internacional (escreva em inglês ou francês)
http://www.olympic.org/uk/utilities/registration_uk.asp?prm_action=req

Petições:

http://www.freetibet.org/campaigns/olympic_07/index.php
http://www.avaaz.org/en/tibet_end_the_violence/6.php?cl=62130502
http://www.petitiononline.com/Tibete08/petition.html
http://www.gopetition.com/petitions/free-tibet.html

vendredi 14 mars 2008

mardi 18 décembre 2007

Pelo caminho de Goebbells


"Uma mentira a força de ser repetida acaba parecendo ser uma verdade."

A China anunciou que o turismo para o Tibete aumentou em 60% em relação ao ano anterior.

Segundo a imprensa estatal chinesa, mais de quatro milhões de turistas visitaram a província em 2007.

As autoridades dizem que a popularização do Tibete se deve a uma maior rede de infra-estrutura e investimento em propaganda.

Há 17 meses foi inaugurado um trem de alta velocidade que liga a capital do Tibete, Lhasa, a Pequim e outras grandes cidades na China. Além disso, um novo aeroporto, o terceiro na região, oferece conexões a diversas províncias do país.

Além de facilitar o turismo, as novas rotas terrestres e aéreas ao Tibete também tem fomentado a migração de chineses de outras etnias.

Os críticos questionam se a presença desses grupos não estaria abafando a cultura local tradicional como forma de reforçar a dominação do Partido Comunista. Em algumas cidades os chineses locais já são considerados minoria.

Era Dourada

De acordo com o Secretário Local do Partido Comunista, Zhang Qingli, o Tibete está entrando numa “era dourada” do turismo.

Segundo Zhang, o fim de ano é considerado temporada baixa, mas neste 2007 não há indícios de que o número de turistas venha a cair. Dezembro “não parece nada com temporada baixa”, disse Zhang.

A renda gerada pela indústria do turismo no Tibet somente este ano é estimada em 4.8 bilhões de yuan (R$1,1 bilhão), um valor 73.3% maior do que o registrado em 2006.

No ano passado a região recebeu 2.5 milhão de turistas e obteve renda de 2.77 bilhões de yuan (R$677 milhões), que corresponderam a 9.6% do Produto Interno Bruto da região.

Para os críticos, a popularização do turismo é uma ameaça ao Tibete, já que o intenso fluxo de visitantes poderia destruir o meio ambiente e danificar os prédios históricos.

Em março, o Dalai Lama disse que a ferrovia aumentou a migração e a degradação do meio ambiente e por isso seria uma fonte de “grande preocupação”.

Há poucas semanas a linha ferroviária foi utilizada para levar soldados chineses à capital, Lhasa.

A China invadiu e anexou o Tibete no começo da década de 1950 e desde então o líder Dalai Lama vive no exílio, em Dharamsala, no norte da Índia.

www.bbc.co.uk

samedi 22 septembre 2007


“Todo povo tibetano deveria estar sob uma única administração”

Lodi Gyari

11 de julho de 2007

As negociações com a China atingiram um estágio crítico, mesmo não havendo mudanças, diz o enviado especial, Kasur Lodi Gyari Rinpoche: Entrevista em Bruxelas, 13 de maio de 2007

Por Ewa Kedzierska para Gazeta Wyborcza, Polônia

A seguir, o texto completo da entrevista com Lodi Gyari, enviado especial de Sua Santidade, o Dalai Lama, cedida antes da visita das delegações tibetanas à China no início deste mês, para a sexta rodada de conversas com a liderança chinesa. Na ocasião da entre-vista, a possibilidade de uma sexta rodada de conversas ainda não era conhecida.

Ewa Kedzierska [EK]: Houve cinco rodadas de conversas de 2002 até 2006. Em que nível estão as negociações do lado chinês? Como foi a avaliação geral desses encontros?

Lodi Gyari Riponche [LGR]: As negociações que mantivemos com o governo chinês foram feitas com a Frente Unida do Departamento de Trabalho, que é o Órgão do Partido que tratava com o governo do Tibete, desde a época de quando o Acordo de 17 Pontos foi assinado, em 1951. Esse é o departamento do governo chines que lida com a questão tibetana. O chefe da Frente Unida tem o cargo de ministro, sendo inclusive em muito casos membro do Politburo. Assim, essas conversas não começaram em 2002, mas mesmo antes quando fui à China; e em 1982 e 1984, sempre conversamos com a Frente Unida.

EK: Quem era as autoridades chinesas com as quais se davam as negociações?

LGR: Da primeira vez que fui à China, em 1982, nos encontramos com o Sr. Ulan Fu, que é da etnia mongol, membro do Politburo, e também com o Sr. Xi Zhongxing, que também é membro do Polit-buro. Haviam diversas autoridades tais como ministros; por exemplo, o Sr. Yang Jingren, diretor da Comissão de Assuntos de Nacionalidades.

Em 2002 conversamos com o Sr. Wang Zhaoguo, e ele foi posteriormente transferido e promovido para o Politburo. Agora ele é vice-presidente do Congresso Nacional do Povo, e a Sra. Liu Yandong foi nomeada ministra; assim, minha principal contraparte é uma das mulheres mais importantes do partido chinês. Também tenho me encontrado com o Sr. Zhu Weiqun, que é vice-ministro executivo da Frente Unida. Os dois são interlocutores muito capazes. Eu os considero muito. É claro que eles são também negociadores muito duros, mas estamos satisfeitos com todas as pessoas com as quais estamos tratando.

EK: Essas conversas foram consideradas pelos chineses como formais ou informais? Você está conversando a nível ministerial; no entanto, tem havido muito poucos comentários na imprensa chinesa, e também tentativas de reduzir seu papel como enviado, reduzindo-o a categoria de um simples visitante em busca de noticias de parentes no Tibete.

LGR: As conversas são bem formais, a despeito de quaisquer co-mentários que possam aparecer na mídia chinesa. Nossos encon-tros são como reuniões de negócio, muito profissionais e detalha-dos. Minhas contrapartes têm sempre proporcionado à minha dele-gação a oportunidade de compartilhar visões com eles de uma for-ma muito extensa, e de forma a demonstrar nossa posição. Isto é o mais importante e estamos satisfeitos com a forma como eles conduzem o processo.

EZ: Após a quinta rodada na China, em fevereiro de 2006, as con-versações foram suspensas e a retórica chinesa se tornou mais agressiva, notadamente voltada para a pessoa de Sua Santidade, o Dalai Lama. Isto não significaria que os chineses se amedrontaram com as exigências, formuladas com maior clareza durante a quinta rodada? Porque você acha que as negociações atingiram esse estágio crítico?

LGR: Eu acho que nossas conversas atingiram um estágio crítico, ou muito delicado, porque desde a quarta rodada nós estamos discutindo pontos reais, crusciais. Nós avançamos um passo além daquele de estarmos apenas nos conhecendo. Mas as negociações não foram rompidas. A postura chinesa é compreensível, pois mesmo que as questões levantadas por nós sejam razoáveis, legítimas e de mútuo benefício, não é fácil para as lideranças chinesa responderem imediatamente.

Infelizmente, eles estão tentando encobrir a inabilidade de seus li-deres ao tomarem de forma tendenciosa certas decisões políticas através do uso de todo tipo de retórica: por exemplo: as alegações irresponsáveis, e sem base, contra Sua Santidade o Dalai Lama e contra nossa posição nas negociações. Isto cria situações que podem causar problemas. Pois tudo é uma reação em cadeia. Diferentemente dos líderes chineses, Sua Santidade o Dalai Lama posiociona-se dentro de uma postura democrática que ele estabeleceu no exílio. Nós também vivemos num mundo livre, onde as pessoas podem reagir livremente. Quando o governo chinês vem com toda essa retórica vazia e de caráter negativo, isso mina a boa-vontade que temos tentado construir nos últimos anos. Isto abala a confiança dos tibetanos, e também exerce uma tremenda pressão sobre a liderança tibetana, pois ela é agora responsável perante as pessoas que a elegeram. Mesmo se as decisões são tomadas por Sua Santidade o Dalai Lama tendo com base o nobre caminho do meio budista, o Prof. Samdhong Rinpoche, Presidente do Gabinete, não pode ignorar o sentimento público. Pessoalmente, não estou preocupado com esse atraso. Essa é uma questão difícil e muito séria, e portanto é muito compreensível que num sistema comunista centralizado seja difícil tomar uma decisão desse peso de forma rápida. Devo aceitar isso. No entanto, o que é impróprio, é a propaganda totalmente irresponsável, infundada e sem base contra Sua Santidade. Isso fortalece as visões de algumas pessoas que sempre foram, desde o início, muito céticas quanto às intenções do governo chinês. Isto vem como uma confirmação daquela linha de pensamento sobre a qual Sua Santidade criticava desde o início: "Não confiem nos chineses. Eles não querem negociar. Eles estão apenas fazendo vocês perderem tempo".

EK: Quais são as principais diferenças de pontos de vista entre tibetanos e chineses?

LGR: Por um lado, nós achamos que não há diferenças. Não estamos pedindo independência, mas sim uma legítima autonomia. Na verdade, é algo que o governo chinês já aceitou. A Constituição da China já garante isso. O único ponto é a questão de sua implementação. Portanto, não há diferenças fundamentais. Por outro lado, o governo chinês diz que estamos pedindo:

1. O Grande Tibete (esta foi a expressão deles)*

2. Mudança total do sistema de governo

3. Retirada de todo pessoal militar chinês

4. Retirada de todos os não-tibetanos de áreas tibetanas

Primeiramente, não estamos dizendo que a China não pode ter qualquer presença militar no Tibete. O Dalai Lama ressaltou que ele está negociando dentro do PRC e dentro da estrutura da Constituição do PRC.

Ao mesmo tempo, o Dalai Lama é um monge budista, e como tal, ele não é a favor da abordagem militar, de armas e de violência. Como indivíduo, ele ficaria feliz se não houvesse militares não apenas no Tibete, mas em todo mundo. Este é seu desejo.

EK: Então esse é um desejo, e não uma condição?

LGR: Isto não é uma condição. O Kashag fez até uma declaração formal em relação a isso. Então, sobre o Tibet se tornar homogêneo; como podemos dizer que aceitamos a Constituição chinesa, mas queremos que o Tibete seja homogêneo? O ponto mais importante aqui é que os tibetanos não podem se tornar minoria em sua própria terra. Se o governo chinês não pode aceitar isso, temos aí, então, uma verdadeira diferença fundamental. Nossa posição nada tem contra qualquer outra nacionalidade. Queremos preservar nossa identidade, falar nossa língua, seguir nossas tradições culturais, e é claro que todos concordarão com isso. Agora, os próprios oficiais chineses me disseram que os tibetanos não são minoria nas áreas tibetanas. Eles me forneceram dados, números e fatos que mostram como os tibetanos são maioria. Muito bem. Se essa é a situação, então não há nada com que se preocupar. Quando chegarmos a um acordo, se é como os oficiais chineses dizem, que 70 a 80% da população do Tibet é tibetana, então, não teremos problemas. Porque eles teriam que ficar tão agitados sobre essa questão? Porque eles escolheriam algumas palavras da declaração de Sua Santidade quando ele usa a palavra "reversão"? É verdade que nos anos 80, Sua Santidade disse que a maior ameaça para a cultura tibetana é a transformação demográfica. Ele disse que o governo chinês deve parar essa transformação demográfica no Tibet, e que não há reversão da situação existente. Nós achamos, entretanto, que em algumas áreas os tibetanos já se tornaram sim uma minoria.

EK: Nas conversações finais, você vai aceitar os números dados pelos chineses?

LGR: Sim. Mas é claro que esses dados terão que se refletir na realidade.

EK: E se não se refletir?

LGR: Se refletirá, caso a China tiver um governo responsável. Se eles me disserem que os tibetanos ainda são a maioria, aceitarei e negociarei com base nisso. Mas é claro que no momento da implementação, isso tem que ser muito acurado, como é sua própria declaração. Eles estão me dizendo de forma muito agressiva: “Mr. Gyari, você está fazendo alegações contra nós, você nos acusa de mentir!” E eu respondi: "Estamos muito felizes em aprender que só há menos de 20% de não-tibetanos no Tibete. Estas são notícias muito boas. Mas é claro que nós achamos que não é o caso, mas, por favor, provem que estamos errados. Algumas vezes, as pessoas não querem que provem que elas estão erradas, mas neste caso, eu ficaria muito feliz por estar errado". Eu digo sempre que espero estar errado!

EK: E o Grande Tibete?

LGR: Primeiramente, essa é uma formulação chinesa. É verdade que tem havido muitas mudanças nos limites do Tibete. Em alguns casos, o governo comunista (que chegou ao poder em 1949) herdou alguns deles. Eles não são responsáveis por todas elas. Eles são definitivamente responsáveis por algumas - mas não por todas. Isto é tudo um legado do passado, da história da China e do Tibete. Mas a própria China tornou diversas nações divididas (Manchúria, Macau, etc.). Quando a nova China foi estabelecida seu sonho ou visão era unificar seu território. Nós também temos que ter oportunidade para que todo povo tibetano fique sob uma única administração. Isto não se deve a qualquer tipo de desejo de dividir a China ou de declarar independência tibetana.

A razão é porque queremos ter políticas comuns para proteger nossa identidade cultural, lingüística e religiosa. E esse é um de-sejo muito genuíno. Eu contribuirei para a estabilidade chinesa. Se eles não o fizerem, isto continuará a ser motivo não apenas de irritação, mas causará uma profunda ferida a mais, uma insatisfação profunda no povo tibetano, que definitivamente levará à instabilidade na região.

EK: A administração única para todo território tibetano é um ponto que você nunca desistirá?

LGR: Nossa posição é que o povo tibetano deve ter oportunidade de manter totalmente sua identidade distinta. Nós sentimos que um dos fatores essenciais que podem contribuir para isso é que os tibetanos tenham a oportunidade de viver sob uma única administração.

EK: E sobre os dois outros pontos: o desejo dos chineses de que Sua Santidade reconheça que o Tibete sempre foi parte da China e a questão de Taiwan?

LGR: Como disse o Prof. Samdhog Rinpoche (Primeiro Ministro tibetano), nós não desafiamos o conceito de uma China única. No entanto, Taiwan não é problema nosso. O Tibete é responsabilidade de Sua Santidade o Dalai Lama, e ele se propõe a satisfazer os líderes chineses ao afirmar que nós estaremos comprometidos a permanecer como parte da China. Eu passei para minhas contrapartes chinesas toda garantia necessária; estaremos dispostos a fornecê-la de uma forma mais clara ainda, para que não reste qualquer tipo de dúvida entre os negociadores chineses . Mas se falarmos sobre a história dessas duas nações, isto se complica. O fato de como a China lê a história e nossa própria leitura da mesma, é claro, diferem.

EK: Sua visão da história Chinesa e Tibetana também é inegociável?

LGR: Não há necessidade de negociar isto, esse é nosso ponto. O que eles querem basicamente é que o Tibete nunca venha a pleitar a sua independência no futuro. Mas se eles quiserem entrar no merito do passado histórico dos dois paises, isto vai complicar ainda mais o processo.. Eu lhes disse, "Não olhem para trás, porque olhar para trás não é realmente agradável ou desejavel. Lembranças muito ruins podem aparecer." Como indivíduo, se eu for me lembrar do passado, eu me aborreço. Meu pai, por exemplo, não cometeu nenhum crime, mas ele não pôde mais voltar ao Tibete e morreu no exílio. Ele não cometeu outro crime exceto o de ser tibetano, amar seu povo e sua religião. Eu não pude sequer cremá-lo. No minimo, nove membros de minha família morreram sob circunstâncias trágicas. Caso eu olhe para trás, todos esses fatos vêm à minha mente. Sendo assim, eu disse: "Por favor, não olhem para trás, porque esse passado é muito doloroso para todo povo tibetano. Mas nós temos coragem de olhar para frente, por causa de Sua Santidade o Dalai Lama, com esperança e com o comprometimento de permanecer parte do PRC." Assim, espero que eles entendam.

EK: Phuntsok Wangyal, em sua carta para Hu Jintao, criticou alguns membros da liderança tibetana por fazer negóciações que se opoem as diretrizes dadas pelo Dalai Lama. Você disse que há diferentes posições dentre os antigos lideres tibetanos. Você pode se aprofundar nisso?

LGR: Phuntsok Wangyal é um marxista purista; eu acho que ele é mais marxista, hoje em dia, do que muitos membros do Comitê Central Chines. Mas ele também ama o Tibete e tem muito orgulho de ser tibetano. Ele sente que devia ser dado o direito ao povo tibetano da verdadeira autonomia sob uma única administração. Essa visão é partilhada por 90% dos líderes tibetanos, sem dúvida e sem hesitação. Eu falei claramente para as autoridades chinesas: “Não fiquem chateados, eu posso ser budista, e não comunista, contudo eu conheço os sentimentos dos membros do partido comunista tibetano mais do que vocês. Porque? Porque sou um tibetano e eles são tibetanos. Posso ler seus corações. E eles abriram seus corações para nós.”

EK: Você teve oportunidade de falar com os tibetanos sem a presença chinesa?

LGR: Não. Sempre falei com eles na presença dos chineses; pois não quero torná-los desconfiados. Às vezes, haviam 15 a 20 líderes tibetanos e 4 ou 5 oficiais chineses mandados de Pequim para o encontro. Fiz um relatório para os lideres tibetanos sobre as razões porque eu estava lá. Eu lhes disse: "Estou aqui hoje para falar por todos vocês e não apenas pela minoria dos tibetanos que vivem no exilio. Se o Dalai Lama for bem sucedido em suas negociações, são vocês que terão o poder no Tibete, e não eu."

EK: Você os informou que uma vez que eles assinassem o acordo, o governo tibetano no exílio se dissolveria e seus membros não ocupariam qualquer posição-chave no Tibete?

LGR: Sim. Eu falei a Ragdi e Legchok e a outros lideres tibetanos em Lhasa: "Ouvi que alguns de vocês acreditam que caso o Dalai Lama voltar, ele trará o governo do exílio e fará todos vocês perderem o emprego." Eles ficaram em silêncio, completamente sem saber o que dizer. Nós, por outro lado, nem sonhamos com isso. De fato, o Dalai Lama disse em público e eu repeti seus discurso aos líderes do partido em Pequim, que nós iremos dissolver o governo de Dharamsala quando chegarmos a um acordo. O único governo será o de Lhasa, governado pelos atuais lideres Tibetanos. Sim, alguns de nós podem querer voltar, mas se eles vão ou não obter trabalho dentro do novo governo, isso será decidido individualmente, dependendo das qualificações, desejos e habilidades de cada um; e o novo sistema politico tibetano que será então implementado decidirá se essa oportunidade deve ou não ser dada.

EK: Você tem dito que 90% dos maiores líderes tibetanos querem uma única administração tibetana, mas quantos deles apoiariam Sua Santidade o Dalai Lama?

LGR: 99% ou até mais.

EK: Eles falaram isso diretamente ou apenas insinuaram indiretamente esse desejo para você?

LGR: Eu digo a eles o tempo todo, inclusive na frente dos principais oficiais chineses: “Vocês sabem, eu pedi ao governo central para parar de chamar Sua Santidade o Dalai Lama de separatista. Aquele que está chamando o Dalai Lama de fomentador de divisão é ele mesmo um fomentador da divisão, porque ao chamar o Dalai Lama de fomentador da divisão, os líderes chineses estão dividindo o coração do povo tibetano, inclusive seu próprio coração!” E eu continuei: “Eu sei que vocês são comunistas, e talvez vocês não acreditem na religião, mas vocês todos sentem orgulho por ter um homem tibetano cujo nome é Tenzin Gyatso, o XIV Dalai Lama. Quando alguns oficiais do governo chinês o chamam de nomes feios, como tibetanos vocês se sentem muito humilhados. Não é assim?”.

EK: Mas algumas vezes, os próprios tibetanos criticam Sua Santidade.

LGR: Ah sim. Logo depois que esses oficiais tibetanos nos criticaram, seus parentes nos telefonaram: “Por favor, peça perdão à Sua Santidade. Sua Santidade sempre diz aos tibetanos vindo do Tibete: Voltem. E vocês podem me criticar se os oficiais chineses pedirem que vocês o façam. Dou-lhes minha permissão”. Algumas vêzes, alguns tibetanos também me pedem: “Por favor, diga ao Dalai Lama que ele não deve dizer que perdoa aqueles que o criticam. Ele não deveria perdoar, porque a maioria dos tibetanos não concordaria em denunciá-lo. Alguns tibetanos são fracos; eles querem tirar vantagem, e por isso, criticam o Dalai Lama e depois justificam-se dizendo que o próprio Dalai Lama disse que poderiam criticá-lo”. Assim, eu passei essa mensagem direta de muitos tibetanos para Sua Santidade, e eu acho que eles estão certos. A maioria deles diz que mesmo se o Dalai Lama autoriza essas criticas, eles nunca irão fazê-lo de coração!

EK: Você quer dizer que a maioria daqueles tibetanos que faziam parte do regime, os membros do partido, criticaram o governo no exilio por estarem convencidos de que essa seria a única forma deles ajudarem o Tibete? Seriam na verdade apenas alguns poucos que colaboraram verdadeiramente com o governo chinês para tirar vantagem na situação?

LGR: Há quatro categorias diferentes. Há os idealistas, como Phuntsok Wangyal, que se juntou ao Partido Comunista por convicção, quando ele ainda era underground, e por não estarem felizes com o antigo sistema tibetano. Eles queriam mudar o sistema, e os únicos sistemas políticos a seu alcance eram o Kuomintang, os nacionalistas da China e os comunistas. Naquele momento, definitivamente, os comunistas eram muito mais verdadeiros, porque o Kuomintang estava se tornando corrupto. Primeiro, eles estabeleceram o Partido Comunista Tibetano. Apenas daí para frente que eles foram absorvidos pelo Partido Comunista Chinês. Em seguida, há a segunda categoria, que inclui pessoas que foram recrutadas ou até mesmo enviadas pelo governo tibetano para serem educadas em escolas chinesas. Isso começou em meados dos anos 50. E elas se tornaram fascinadas pela suposta modernidade da sociedade chinesa. Individuos como Mao Zedong, são um bom exemplo; e a China, naquele momento, ainda estava se comportando de forma civilizada para com o Tibete. Assim, eles se entusiasmaram. Eles também acreditaram numa grande nação, onde todo mundo seria igual. Não haviam muitos que receberam uma boa educação nessa categoria. Há também a terceira categoria, a maioria das pessoas que nos dias de hoje criticam o governo tibetano no exilio, e que se uniram aos chineses durante a Revolução Cultural. Foi como um grande afluxo na época: guardas vermelhos, revoltas revolucionárias, uma Frente Unida, tudo isso se misturando. Todos eles esperavam esses acontecimentos para se unir aos chineses.

Essas pessoas não receberam muita educação, não tinham qualquer habilidades especias; apenas portavam o Livro Vermelho de Mao. Eles assumiram, não apenas no Tibet mas também na China as suas posturas de um Tibete Chines. E agora, eles estão com seus 50, 60 e poucos anos. Falta a eles um profundo background cultural. Eles têm agora um complexo de culpa, pois eles sabem que tomaram parte da destruição de sua própria cultura. Assim, alguns deles se preocupam muito com tudo o que aconteceu. E eles têm medo das mudanças, não apenas de perder o poder, mas também medo de retaliações; medo de serem torturados ou colocados em prisões. Por que foi dessa forma que eles chegaram ao poder, e também porque é a única coisa que eles conhecem. Mas o ponto de vista de Sua Santidade é: foi um motim infeliz, nacional e histórico, no qual milhares de pessoas de ambos os lados se envolveram. Não podemos ser vingativos, mas apenas perdoar. Mesmo assim, alguns tibetanos dentro do Tibete têm fortes sentimentos negativos com relação a esses indivíduos. Eles me dizem: “Porque você diz que não vai haver punição? Essas pessoas destruíram nossa cultura!”

EK: Você informou a eles que o Dalai Lama perdoa?

LGR: Oh, sim, eles sabem isso. Chegamos, então, à quarta categoria, a nova geração do Partido Comunista tibetano, formada por pessoas que eram muito jovens para fazer algo de errado durante a Revolução Cultural (eles tinham 10 ou 11 anos de idade). Eles são muito bem educados e não têm a bagagem da culpa e nem a mentalidade de vítimas. Eles agora estão com seus 30 anos, e lentamente se tornam líderes no Tibete. Diferentemente da geração de tibetanos da Revolução Cultural, eles não têm complexo de inferioridade em relação aos chineses. Portanto, estou muito otimista para com eles.

EK: A última descoberta de recursos minerais no Tibete como o ferro, cobre, zinco, etc. torna o Tibete a região mais rica da China.

Isso não teria um impacto negativo no processo de negociação? Não seria o caso de: mais reservas naturais, menos concessões politicas?

LGR: O Tibete é um ecossistema único no mundo. Os líderes chineses deveriam ser sábios, e não apenas pensar no Tibete. Eles não devem indiscriminadamente causar uma maior exportação do plateau tibetano. Mesmo se eles tirarem vantagem econômica rápida, ao longo prazo, isso será devastador para a China. Estou muito preocupado se os líderes chineses compreendem isso. Infelizmente, não há na China uma liberalização na política; apenas na econômia. Haverá forças econômicas que talvez eles mesmos não possam verificar, e que pode se tornar instrumento de exploração cega dos recursos naturais. Espero que os membros do Comitê Central digam: “tenham cuidado com o Tibete.

Um: ele é politicamente instável, e além disso, o mais importante, a destruição do meio-ambiente tibetano pode ser devastador para o futuro da China”. Mas há pessoas em Xangai ou Hong Kong que querem ter rapidamente um grande lucro a partir dessas descobertas, em colaboração com algumas empresas estrangeiras. Eles podem corromper alguns oficiais do governo chinês, visando obter concessão para explorar minas, etc. Isto é muito perigoso. É por isso que a liberdade política e econômica devem vir juntas; porque com a liberalização política tem-se a liberdade de pressionar e outro sistema político tem de controlar. E isso não acontece lá. Na presença de individuos egoístas e sem escrúpulo colaborando com políticos locais ou mesmo centrais, podem acontecer coisas de que o próprio governo não desejaria.

EK: Rinpoche, você tem qualquer sinal de suas contrapartes chinesas de que a sexta rodada de conversas está chegando?

LGR: Em 10 de março deste ano, Sua Santidade disse que seus enviados estão prontos para ir a qualquer momento a qualquer lugar continuar as negociações com o governo chines.

E eu vou repetir isto aqui: estamos prontos para ir a qualquer momento. Espero que a próxima rodada aconteça sem muita demora. Mas, como eu disse, estamos num estágio crítico de negociação, e, portanto, está se tornando difícil, e devemos estar preparados para ter muita paciência. Mas ao final, é muito possível que cheguemos a um resultado mutuamente benéfico.

EK: Obrigada, Rinpoche.


* Está relacionado a todos os territórios onde os tibetanos vivem, Kham e Amdo incluídos, e não somente TAR.

(tradução: Valéria Pasta e Marcia Ferreira Maluf)

Agradecimento a Gabriel Jaeger (Monge Ngawang Tenphel) www.montanhadourada.org por ter cedido gentilmente esse material e ter feito uma rapida revisão final - em função de seu escasso tempo.

O texto contém algumas pequenas literalidades em sua forma atual devido as dificuldades de tradução. Contudo, sugestões serão mais do que bem vindas no que diz respeito a dar uma melhor formatação geral do mesmo para a lingua portuguesa.